sexta-feira, janeiro 12, 2007

Cruento à Lá Cocteau²³

por Thiago Berzoini

A orgia dos sátiros,
oculta pelas paredes intangíveis
de teus cristais de fita isolante,
escuta-se ao longe,
atráves das curvas
dos seus vendavais uivantes.
E pelos meus olhos
de esmeralda cintilantes,
que na verdade nada mais são
do que chamas oscilantes
de uma vingança acalentada,
antiquada e esquecida,
eu vi meninos, de pernas tortas
em cima de pernas certas, de pau,
erguidos do meio
de um cataclisma social
pelas ruas de pedra pomes,
com estátuas de chouriço, cruas
de onde derretia e escorria,
aquela baba grossa
a qual escorregou ela que
insana corria nua
e assustada, me abraçou,
não era medo, era astúcia!
Então num quarto vazio nos deitamos,
ela adormeceu em sete anos.
Sete horas, eu acordei e abandonei
o que por sete séculos eu procurei,
em sete meses achei, em sete minutos venerei,
e segui meu caminho,
fosse como servo,
embora rei.e procurei...procurei?
Eu caminhava dia após dia e noite após noite,
mas nunca achei novamente,
aqueles olhos dormentes,
e coração pulsante.
Minha pústula era ungüento,
que escorría de meu peito
frio e suado
e lavei minha face triste com o sangue
que expeliste, coração meu,
tu não mais existe!
À minha fome insaciável
me guardei enquanto pude,
então veio aquele seio tão amável
que suguei com sede interminável,
mas era amargo o veneno que saía
de teus mamilos, noite e dia,
minha bílis corría meu esofago.
Eu sofria!
Fechei minha boca encalacrada de prazer,
refugiei me sozinho, não havia mais nada a se fazer.
Repousei em tão doce praça,
que acordei banhado na poça
de lama ressecada,
que a chuva ácida de tuas lágrimas
espirraram em minha cangalha
Que soltou-se ali mesmo,
caiu ao chão, e fiquei mais leve
sem ter o que carregar, só o relógio no pulso,
e as unhas nas mãos,
largas e afiadas,
me protegiam do que mais pudesse
vir a ser ameaça.
Lembrei de teu ventre, tu querias ser ressecada.
Mas para teu nobre sofrimento,
a minha prole foi gerada.
E mesmo mortos, são de prata
e te acompanham nessa estrada.
Para sempre seus, minha amada.

5 Experimentaram o Café:

Anonymous Anônimo experimentou...

Que bom que vc desencantou! Isso é muito bom, mas eu enxugaria mais este poema e daria mais musicalidade a ele. Não que seja uma condição sine qua non, mas gosto quando poema me embala e esse parece ter intervalos...

6:52 PM  
Blogger Ísis experimentou...

Poemas assim muito me satisfazem.
É prato cheio pra quem gosta de explorar o subconsciente.
Arriscaria, ou melhor, imaginaria complexo de Édipo para o personagem.
Beijos.

3:35 PM  
Anonymous Anônimo experimentou...

concordo com o nariz indicador, mais pelo enxugo que pela musicação; contudo o misc en scene criado é tocante.

2:36 PM  
Anonymous Anônimo experimentou...

Agora é cara a cara!

Daniela Mendes de cara limpa!
[Cique aqui > http://livrariaobrasineditas.wordpress.com/]

5:20 PM  
Blogger Mahína experimentou...

Gosto de versos assim, expelidos e diretos. Ainda mais quando combinam com o conteudo... clap,clap, clap!

3:01 PM  

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